domingo, 13 de janeiro de 2008

Que Há de Errado Com o Pentecostalismo?


O que a Bíblia tem a dizer acerca do movimento pentecostal é tanto interessante quanto solene. Somente quando compreendermos a perspectiva bíblica deste assombroso fenômeno é que seremos capazes de lidar com seu avanço sobre a igreja Adventista no início do século 21.
Conforme já discutimos, a presença de Deus na Bíblia é frequentemente descrita como um fogo consumidor. Para cada aproximação que Deus tem feito para com a humanidade, Satanás tem criado uma falsificação. Analise os seguintes exemplos:
i. Deus criou o mundo - Satanás se opõe através da evolução
ii. Deus criou o Sábado - Satanás se opõe com a adoração no Domingo
iii. Deus diz que a alma que pecar, morrerá - Satanás se opõe dizendo que a alma é imortal
iv. Deus diz que a segunda vinda será visível - Satanás se opõe através do arrebatamento secreto
v. Deus criou o matrimônio - Satanás se opõe com o conceito de parceiros
vi. Deus cria o sexo - Satanás se opõe com a imoralidade
vii. Deus cria o alimento - Satanás se opõe com a glutonaria
Satanás falsifica cada ação de Deus. Cada falsificação é planejada para confundir e enganar.
A presença de Deus como um fogo consumidor também possui uma falsificação satânica – uma falsificação planejada para enfraquecer e eventualmente destruir a movimento adventista e sua mensagem. Proponho que esta falsificação é o movimento mundial carismático pentecostal.
O pentecostalismo é um movimento interdenominacional. Sua influência abrangente infiltra-se nas igrejas católicas, protestantes e adventistas do sétimo dia. Este fenômeno tem consideravelmente mais influência sobre o cristianismo moderno do que qualquer outro fator. Contudo, ainda há alguma coisa errada e existem boas razões pelas quais este movimento é tão perigoso para o adventismo do sétimo dia.
Na base do movimento pentecostal carismático está a poderosa direção e o ministério do Espírito Santo (Fogo). A religião baseada [primeiro] na experiência, e depois na verdade, é o modelo defendido pelo neo-pentecostal. A evidência disto é manifesta em uma miríade de fenômenos e sucessos. Alguns deles são:
1. Falar em línguas
2. Curas e milagres
3. Crescimento espetacular
4. Declarações e ministério profético
5. Unidade
6. Dons espirituais
7. Sucesso e riqueza seculares
8. Universidades e escolas
9. Clínicas médicas
10. Adoração poderosa e culturalmente relevante
11. Música original
12. Grandes conferências espetaculares de treinamento
Apesar destas características atrativas, que estão levando muitos a crer que o sucesso deste movimento é impulsionado pelo Espírito, uma dúvida subjacente permanece nas mentes dos adventistas do sétimo dia. Existe uma suspeita incômoda de que nem tudo está correto na pressa precipitada com que alguns de nossos líderes estão encorajando a igreja adventista a unir-se com o movimento neo-pentecostal.
O Caso Bíblico Contra o Fogo do Pentecostalismo
Em Apocalipse capítulo 13, somos confrontados com duas bestas. A primeira besta (versos 1-10) [8] tem sido claramente identificada pelos estudiosos sinceros da Bíblia desde a Reforma Protestante como a Igreja de Roma. Conforme nos aproximamos do tempo do fim, este poder religioso dirige uma grande rebelião mundial contra Deus.
A segunda besta (versos 11-17) [9] é interpretada pelos adventistas do sétimo dia como sendo os Estados Unidos da América. Com isto em mente, note os versos 13 e 14. “E (os EUA) faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E (os EUA) engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi (aos EUA) permitido que fizesse em presença da besta (Igreja de Roma), dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem (falsa adoração) à besta (Igreja de Roma) que recebera a ferida da espada e vivia” (Apocalipse 13:13-14).
Lembre-se de que o fogo de Atos 2 é a presença e a unção do Espírito Santo; porém, deferentemente do fogo de Atos 2 que fez nascer a igreja apostólica, este novo fogo serve a um propósito mais obscuro e sinistro. O propósito primário deste falso fogo é fazer com que os homens e mulheres sejam enganados e abandonem a Jesus. Ele faz isto encorajando o mundo a estabelecer uma imagem (falsa adoração) à Igreja de Roma.
Se o “fogo verdadeiro” é a obra do Espírito Santo que provoca reavivamento, arrependimento e mudança, então o “falso fogo” de Apocalipse 13 deve ser o derramamento de um falso espírito que engana e leva as pessoas para longe de Deus.
Poderia ser que este falso fogo de Apocalipse 13:13 não seja outra coisa além do reavivamento impulsionado pelo espírito carismático pentecostal (falso fogo), que tem tomado o mundo, e subsequentemente uma boa parte do adventismo ocidental de assalto?
Veja o seguinte, que destacamos do verso 13 mais uma vez:
1. O fogo vem da segunda besta - EUA
2. É miraculoso
3. Desce do céu (é espiritual)
4. Faz com que todo o mundo adora a primeira besta – a Igreja de Roma
Agora considere o seguinte, à luz dos pontos acima:
1. O movimento pentecostal se origina principalmente dos Estados Unidos. Esta grande nação ainda é a base do poder deste vibrante movimento.
2. O movimento pentecostal está arraigado e imerso no que é milagroso. Isto inclui as curas, profecias, falar em línguas, sonhos e visões.
3. O fogo é a presença sobrenatural de um ser sobrenatural. Os cristãos identificam isto como sendo Deus. O espírito que move o pentecostalismo é sobrenatural – ele desce dos céus e é espiritual – mas estou propondo que não é de Deus. Como este artigo demonstrará, o fogo que queima forte neste movimento tem sua origem em um reino mais obscuro.
4. O movimento pentecostal está unindo as igrejas de toda cristandade em um todo ecumênico. Batistas, metodistas, congregacionalistas, adventistas do sétimo dia, católicos – todos nós encontramos unidade em uma experiência comum de adoração – uma experiência pentecostal. Não é irracional esperar que esta experiência tenha um papel importante no movimento ecumênico que unirá as igrejas e religiões pouco antes do tempo do fim.
Como o Movimento Pentecostal Pode Ser Acusado de Ser Movido Por um Falso Espírito?
O que torna o movimento neo-pentecostal tão sutil é sua aparente conformação com a verdade. Porém, o alicerce desta fé está fundamentado em um conjunto de abordagens doutrinárias que não são compatíveis com o adventismo ou com a Bíblia
Isaías 8:20: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles.” Este é um texto simples que apresenta um conceito simples. Quando um movimento não fala de acordo com a lei ou o testemunho, então a Bíblia declara que não existe luz nele. Se o pentecostalismo quer se estabelecer como líder espiritual da cristandade (e, subsequentemente, do adventismo) então, no mínimo, deveria abraçar a lei de Deus e Suas Escrituras. O fato de que ele não se enquadra neste padrão estrito o desqualifica de qualquer autoridade ou liderança.
O movimento pentecostal falha em diversas áreas com respeito à lei e ao testemunho. Veja os seguintes exemplos:
1. Total desconsideração e negação ao Sábado – (contrário à lei).
2. Rejeição da Segunda Vinda literal de Cristo – (contrário ao testemunho).
3. A imortalidade da alma, resultando, por ocasião da morte, em vida eterna ou inferno eterno – (contrário ao testemunho).
4. O batismo do Espírito Santo separado da conversão e evidenciado por falar em línguas – (contrário ao testemunho).
5. Em seguida ao arrebatamento secreto haverá um período de 7 anos, conhecido como a tribulação. Depois deste período, Cristo voltará e estabelecerá pessoalmente seu governo por um período de mil anos, conhecido como o reino milenial – (contra o testemunho).
Através de três ondas durante os últimos 100 anos, o movimento pentecostal não se estabeleceu como um pilar da verdade. O que pode ser dito é que a terceira onda, conhecida como “Movimento dos Sinais e Maravilhas”, afastou-se ainda mais da verdade do que o “Antigo Movimento Pantecostal”, do princípio do século 20, ou a abordagem neo-pentecostal dos tempos mais recentes.
A pretensão do pentecostalismo de possuir o Espírito Santo não é necessariamente uma validação de sua legitimidade. Seu relacionamento com a Escritura (o testemunho) e a lei de Deus (a lei) deve determinar isto. Se esta é a norma de referência, então o neo-pentecostalismo está verdadeiramente em sérios problemas.
Diferença Entre o Adventismo e o Pentecostalismo
O Adventismo não pode afirmar ter toda a “verdade”. O que separa o adventismo do pentecostalismo é a sua disposição para crescer na “verdade”. O desenvolvimento da IASD nos últimos 150 anos tem sido uma evidência real deste fato. Considere os seguintes exemplos:
1. Mudança do culto de adoração do domingo para o sábado.
2. Mudança de comer qualquer coisa para uma compreensão das leis bíblicas sobre a alimentação.
3. Mudança de erros na compreensão da Trindade para uma compreensão bíblica da Divindade.
4. Compreensão progressiva acerca da justificação pela fé.
5. Aceitação e assimilação da verdade sobre o estado dos mortos.
6. Compreensão e convicção acerca da mensagem do santuário.
Esta Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma ilustração de como uma denominação pode mudar para uma compreensão mais profunda da verdade em seu jornadear. Esta é uma clara evidência da liderança do Espírito Santo – evidência que não se observa no pentecostalismo.
João 2:15 diz “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” A adoração pentecostal está saturada de coisas “do mundo” (carne). Na vanguarda da abordagem carismática está o uso da música rock na adoração. Este fenômeno tomou de assalto a igreja (cristã e adventista) e suas raízes e origens se encontram na experiência pentecostal. A música rock é a linha de frente no ataque pentecostal, e é utilizada para fazer avançar a sua mensagem para dentro das principais correntes do cristianismo e do adventismo tradicionais. Embora o foco principal deste artigo não seja a questão da música rock na igreja cristã, seu enorme impacto na disseminação das práticas pentecostais entre as denominações cristãs não pode ser ignorado. A música rock é a vanguarda pentecostal para penetrar o cristianismo (e o adventismo) tradicional. Com a aceitação desta música vem uma série de outras influências e práticas pentecostais que estão debilitando a igreja cristã (adventista) e sabotando a sua missão.

Fonte: Newsletters Nrs. 110 e 114, publicadas pelo Dr. Samuele Bacchiocchi e disponíveis no sítio http://www.biblicalperspectives.com/endtimeissues/
Traduzido por Levi de Paula Tavares e Mauro Brandão em Janeiro/2008

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Analise do soneto de Gregório de Matos e Guerra


À margem de uma fonte, que corria
Lira doce dos pássaros cantores
A bela ocasião das minhas dores
Dormindo estava ao despertar do dia.

Mas como dorme Sílvia, não vestia
O céu seus horizontes de mil cores;
Dominava o silêncio entre as flores,
Calava o mar, e rio não se ouvia,

Não dão o parabém à nova Aurora
Flores canoras, pássaros fragrantes,
Nem seu âmbar respira a rica Flora.

Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,
Tudo a Sílvia festeja, tudo adora
Aves cheirosas, flores ressonantes.


O texto apresentado acima é um soneto lírico amoroso cuja autoria é atribuída ao poeta Gregório de Matos e Guerra. Observamos nesse soneto um jogo de palavras que nos conduz num ritmo cadenciado nas sonoridades das silabas tônicas e também nas rimas intercaladas, nos quartetos e o quiasmo nos tercetos (aurora/canoras, parabém/nem). Como é comum na literatura da época, este soneto também apresenta rimas interversicais, ou seja, ABBA/ABBA/CDC/DCD. Todo o soneto apresenta uma linguagem simples e acessível a qualquer leitor.
Logo na primeira estrofe no primeiro e segundo verso nos deparamos com uma ambigüidade que passa despercebido por muitos leitores, quando o sujeito-lírico diz “À margem de uma fonte, que corria” observe que ele introduz uma vírgula, talvez propositalmente para criar esta dúvida nos leitores, o que provavelmente deveria está correndo é a fonte ou “a lira doce dos pássaros cantores”? Pela lógica tendemos a pensar que seria a melodia dos pássaros que circulava naquele ambiente. No terceiro e quarto verso da primeira estrofe, temos ali uma sinestesia quando o poeta coloca que as suas dores estavam dormindo ao despertar do dia, isto, provavelmente deve significar momento de leveza na qual o sujeito lírico presenciava ou também, o que é mais prudente, “a bela ocasião de suas dores” seria a sua amada, sendo assim ela se encontrava dormindo ao despertar do dia.
Na segunda estrofe do poema, logo no primeiro verso, observamos a presença de uma entidade da mitologia grega estereotipada na figura de sua amada “Mas como dorme Sílvia, não vestia”. Essa incorporação de elementos mitológicos era muito comum na literatura produzida nessa época, a qual ficou conhecida como o período clássico ou renascentista, pois, os poetas retornavam a idade antiga buscando inspiração para compor os seus poemas através da filosofia grego-romana e pela busca da razão e valorização do homem como um ser dotado de competências para poder traçar seu destino. Sílvia, provavelmente, foi um pseudônimo adotado pelo eu - lírico para referi-se a sua amada. Para o sujeito lírico Silvia era o motivo de seu dia está escuro e a natureza está monótona, pois ela se encontrava dormindo. Se analisarmos a figura de Silva dentro do contexto mitológico, veremos que para a mitologia grega, ela é considerada uma Ninfa, ou seja, deusas-espirituais que habitavam nos lagos, riachos, bosques e florestas. Camões já utilizou essa figura (Sílvia) em uns dos seus sonetos atribuindo a ela o mesmo valor que o poeta a atribui:
Num bosque que das Ninfas se habitava,
Sílvia, Ninfa linda, andava um dia;
subida nüa árvore sombria,
as amarelas flores apanhava.

Nessa estrofe do soneto de Camões observamos que ele busca inspiração dessa Ninfa. Autores posteriores a Gregório também utilizou a mesma figura, inclusive o poeta Castro Alves e uma de suas obras mais famosas “Espumas Flutuantes”:

Sílvia! a morte abre-me os dedos,
És livre, Sílvia... caminha!
Minh'alma é como a andorinha,
Que alegre o fio quebrou.

Neste soneto o eu – lírico comparou a sua amada a uma deusa, fazendo uma analogia entre a falta que as Ninfas faz natureza e a falta que a sua amada faz em sua vida.
A terceira estrofe é uma continuação da segunda, em que o sujeito lírico demonstra a falta que a sua amada a Ninfa de seus sonhos faz em seu mundo e qual são as conseqüências dessa falta em sua vida. O eu - lírico em todos os momentos utiliza o recurso metafórico para demonstras os seus sentimentos.
Na ultima estrofe ocorre o despertar de Sílvia, a sua Ninfa inspiradora, logo no primeiro verso ele utiliza outra metáfora comparando os olhos de Sílvia a dois diamantes “Porém abrindo Sílvia os dois diamantes”, comprovando mais uma vez que verdadeiramente o sujeito poético utilizou-se da figura mitológica para comparar com a sua amada. No segundo verso da quarta estrofe vemos o regozijo e exaltação da natureza quando ocorre o despertar da Ninfa, mostrando ser dessa forma a natureza a própria essência do eu lírico e Silvia a sua deusa, qual é outro ser a não ser divindades que recebem exaltação?
Concluímos dessa forma, que o soneto apresenta na primeira estrofe de maneira subentendida qual é a razão da tristeza e desilusão do eu lírico, na segunda e terceira estrofe através de metáforas o eu lírico fala das conseqüências desse sofrimento, já na quarta estrofe ele aponta qual é a solução para sanar o seu sofrimento.